Cores, ritmos e pombas

Ricardo Cases pode ser considerado uma das principais vozes da fotografia contemporânea. E provavelmente é o responsável pelos workshops mais animados dessa edição do encontro. Mas esse é assunto para outro post. Hoje, Ricardo subiu no palco do MIS para falar sobre sua trajetória na fotografia, linguagem pela qual ele se declara abertamente apaixonado. Desde 2006, ele faz parte do coletivo BlankPaper, de Madrid, com mais 6 artistas. 

Foto: Pétala Lopes

Despojado, muito simpático e animado, ele iniciou sua apresentação com uma foto do seu trabalho mais recente, ainda não publicado. A imagem de um muro grafitado o representa tão bem quanto representa o momento que seu pais está vivendo. Espanhol, nascido em Orihuela, Alicante, Cases se diz um homem de sorte por viver um tempo onde a fotografia apresenta a cada ano coisas mais interessantes de ver, novas maneiras de narrar uma história através das imagens.

O primeiro trabalho que apresentou foi Tunning. Um registro do fenômeno que aconteceu na Espanha entre os jovens, que adotaram o estilo para seus carros e para si mesmos. Em seguida, apresentou o trabalho que denominou El Informe Carreras, um ensaio livre, encomendado pelo curador Claudi Carreras, sobre a comunidade latina em Miami. Esse trabalho foi realizado seis anos depois de Tunning, mas os dois se relacionam, contando a história de pessoas vivendo novas influencias culturais. “Minha trajetória na fotografia sempre teve a ver com encontros, com a descoberta de novos personagens e contextos que me pareçam interessantes e que me representem, de alguma forma”, diz Cases. 

Foto: Pétala Lopes

O fotógrafo encontrou no fotolivro uma forma maravilhosa de contar suas histórias, seus contos, e de alguma maneira, busca sempre encontrar uma forma de transformar seus trabalhos em fotolivros. Esse é o caso dos trabalhos seguintes apresentados durante a palestra. Outra coisa que deve ser destacada é a presença e a importância das cores em seus trabalhos. Belleza Del Bairro mostrava pessoas comum, posando como estrelas da TV e da publicidade, mas talvez indo além, mostrando de fato a beleza que têm. A trilha sonora da apresentação audiovisual é o toque de um celular de uma marca famosa. 

É muito interessante ver como Cases trabalha com quebras de ritmo em seus trabalhos, com imagens inusitadas que conversam completamente com o assunto abordado, como se ele buscasse outros detalhes e lugares para enriquecer suas histórias. 

Foto: Pétala Lopes

Seguimos com o trabalho seguinte, La Caza Del Lobo Congelado, que nos apresenta uma nova realidade da caça, um esporte que há um século atrás era privilégio de aristocratas e seus convidados. O novo público, por assim dizer, do esporte, são pessoas de classe media, pais e filhos, amigos e seus cães. A música, mais uma vez, é um personagem importante na apresentação audiovisual, que dá o clima certo para o conjunto forte de imagens de armas, animais mortos e pessoas sujas de sangue. 

Serrano Boogie é o trabalho seguinte, também uma apresentação audiovisual de fotos que retratam a convivência da elite espanhola com trabalhadores em uma rua de classe alta, um tipo de Oscar Freire. 

Chegamos ao premiado Paloma al Aire (escolhido como o melhor fotolivro de 2011 pelo The Britsh Journal of Photography), trabalho que surgiu da necessidade de Cases de voltar mais à sua cidade natal para visitar a mãe. Lá ele descobriu este esporte, muito comum na costa espanhola que vai da Cataluña a Andaluzia e passou a fotografá-lo ao longo de 3 anos. O resultado é um conjunto de imagens muito curiosas sobre uma prática que ele mesmo classifica como “tão local e tão marciana”.  

Esse trabalho também teve a novidade de uma trilha sonora feita por um musico que trabalhou em parceria com Cases, “Foi um processo muito interessante. Eu mandava imagens para José Bautista e ele me respondia com instrumentos e propostas sonoras”. 

E antes de encerrar a sua fala, Cases ainda nos deu de presente indicações valiosas sobre os novos nomes da fotografia espanhola que devemos ver, como os coletivos Fotoaplauso, Omnivore, Lãs Baladas Del Ciclope, NoPhoto, El Phacto e o seu próprio coletivo, BlanckPaper.

“Meu trabalho é muito azarado. Azarado? Ah, aqui vocês dizem sorte? Então, meu trabalho depende muito da sorte”, disse ele quase no fim da sua apresentação. A sorte é nossa de poder presenciar uma mente tão criativa e arrojada trabalhando e nos mostrando um pouco dos seus processos.

Representações de realidade e da ficção / convocatória: segundo dia de apresentação

Para o segundo dia de apresentação dos artigos selecionados pela Convocatória, mais três pesquisadoras apresentaram seus trabalhos, completando o time de seis mulheres convocadas. 

A primeira a se apresentar foi a mexicana Blanca Magdalena Ruiz Peres, com o artigo El Viaje de Los Afectos. Iniciando seu discurso, Blanca afirma que as palavras e as imagens viajam juntas, carregadas de sentimentos. Citando o filósofo Espinosa, diz que “a fotografia é o transporte dos afetos”, e que nós somos seres afetivos por natureza. O corpo humano pode ser afetado de muitas maneiras, pelo desejo, pela tristeza, pelo gozo. Entretanto, não podemos compreender o afeto apenas como sentimentos, mas também como conhecimento e como formas de nos relacionar com os outros.

Foto: Pétala Lopes

A pesquisa de Blanca segue, por tanto, a fotografia familiar, que registra momentos de afeto entre mães, pais, filhos, avós e parentes. “O amor é um dos principais afetos”, diz Espinosa, e os exemplos dados por Blanca em sua pesquisa representam esse afeto de diversas maneiras, como é o caso de Felix Gonzáles-Torres e sua obra Cama Vacía, que marca a ausência definitiva do amor. Também é o caso do trabalho de Pedro Meyer, Fotografia para Recordar; Vida Yovanovich, com o trabalho Carcer de Sueños, Ana Casas Broda, com a série Álbum, que tem os retratos de família e a casa como centro do trabalho, e a série Kinderwunsch, que fala sobre a vontade de ser mãe, as alegrias e o amor na maternidade, mas também as angustias, medos, temores. Blanca define seu trabalho como uma pesquisa sobre o olhar como experiência afetiva. 

Depois, foi a vez da colombiana Núbia Angélica Caballero Pedraza falar sobre o seu artigo El Efecto de Realidad en la Fotografia Documental. “Existem coisas que não se pode falar. Uma delas é a realidade, porque a realidade é uma questão de experiência, que não é a mesma para todos. Mas, então, por que podemos representar a realidade? Esse é o meu ponto de partida nesta pesquisa”, iniciou Núbia.

Em seguida, apresentou para o público imagens feitas sobre a manifestação de estudantes em Bogotá publicadas em um canal de TV, nas redes sociais e nos principais jornais da cidade, tornando nítido o seu ponto de vista de que, para cada um, a realidade se apresenta de uma maneira. Mesmo em obras do pictorialismo já havia uma intenção de construção e representação de uma realidade. “O dispositivo fotográfico não pode ser entendido como um mero agente reprodutor e, sim, como um meio desenhado para reproduzir determinados efeitos, nesse caso, efeitos da realidade”, ela diz em seu texto, e continua, “representar a realidade é uma pretenção. A realidade é uma coisa muito frágil e qualquer pequena alteração já a transforma em ficção”.

Foto: Pétala Lopes

Encerrando a apresentação da Convocatória, a professora Niura Legramante Ribeiro dissertou sobre a sua pesquisa Interfaces entre fotografia e pintura: Bachelot Carol.

A dupla Bachelot Carol é formada por um casal, marido e mulher, que trabalham com fotografias, mas inspiram-se com obras das artes plásticas, do cinema e do teatro. Ele, antes, foi cenografista e ela figurinista de cinema, e começaram a trabalhar como fotógrafos em 2005. Seu trabalho retrata as questões do mise-en-scene, mas com uma aparência de pintura, causada pelas pinceladas digitais aplicadas na pós-produção.

Os temas abordados pela dupla sempre giram em torno de crimes, assassinatos, delitos, violência, roubos e corrupção, com fotografias construídas a partir de referencias históricas como Ofélia, Romeu e Julieta, Cleópatra, Judith Eclancher, alem de obras de Botticelli e Velásquez. Núbia também ressaltou a relação dessas imagens com as fotografias produzidas no século XIX, que já destacavam a encenação. A pesquisa da professora Núbia pode ser vista com mais detalhes no livro Entre a lente e o pincel – interfaces de linguagens, onde essas e outras relações da fotografia com a historia da arte são feitas.

Entre a Lapinha da Serra e o Mata Capim

Após um dia de workshops, palestras, leitura de artigos acadêmicos e um amplo exercício de pensar a fotografia e os seus processos criativos, todos os que estavam no auditório do MIS receberam um pequeno presente. Era o momento da reflexão. 

Alexandre Sequeira, com seu relato autoral, emocionou a todos com a história do seu encontro com Rafael e Seu Juquinha, que gerou o trabalho Entre a Lapinha da Serra e o Mata Capim. 

Enquanto apresentava fotos de um lugar idílico, tranquilo, uma vila cheia de verde e silêncio, Alexandre explicou, “Meu trabalho se dá pelo deslocamento, pelos lugares que eu visito, pelas pessoas que conheço. Quando dou conta já estou completamente envolvido”. E foi assim, completamente envolvido, que Alexandre nos contou como conheceu um menino de 13 anos cheio de sonhos e fantasias e um senhor 80 anos, cheio de histórias e memórias, que por acaso eram parentes e moravam em Lapinha da Serra, uma vila na Serra do Cipó, em Minas Gerais. 

Foto: Pétala Lopes

Entre caminhadas e brincadeiras, histórias de discos voadores e fantasmas, cantigas, batuques e memórias fabulosas, nós que ouvíamos seus relatos, acompanhamos a trajetória de Alexandre durante os dois anos de pesquisa que o levaram a visitar a Lapinha com muita freqüência. Nesse tempo, sua amizade com Rafael cresceu e tornou-se maior do que a distancia pode ser. Alexandre presenteou o menino com uma pequena câmera fotográfica. A partir daí, com a fotografia como elo, os dois passaram a explorar os quatro cantos da vila, clicando tudo o que viam, caminhando em silêncio. “Nada poderia interferir no nosso plano de convívio”, disse Alexandre, que reconhecia no olhar do menino o garoto que ele mesmo fora antes. 

Foto: Pétala Lopes

Já com o Seu Juquinha, a relação de amizade teve os laços estreitados com as visitas no Mata Capim, um pequeno terreno afastado da Vila, onde Seu Juquinha cuidava das galinhas e do cachorro. Lá, os dois conversavam à beira do fogo, tomando café, por noites inteiras. A fotografia, nesse caso, era quase uma necessidade para o senhor que sentia por não ter registro dos pais, já falecidos e não queria que o mesmo acontecesse com ele. 

Este relato é a prova irrefutável de que, para a fotografia ir além do mero registro, além do consumo e do mercado, é fundamental que o fotógrafo e seu objeto de pesquisa tenham uma relação de convivência intensa e honesta. Apenas diante dessa abertura nas relações é que se torna possível uma percepção tão clara de um ser humano para outro. “Confesso que boa parte do tempo, durante esse período, sequer estou com a câmera. Estou, na verdade, muito disposto a estar com as pessoas”. 

Para Alexandre as fotografias são um registro de viver. “Acredito que meu trabalho se trata do encontro. Nada disso seria possível se não fosse esse encontro tão rico com essas duas pessoas”.

Processos criativos nas artes visuais

Convidada para falar sobre os processos criativos nas artes visuais, a professora do programa de Pós-Graduação em Comunicação e Semiótica da PUC/SP, Cecília Salles manteve como eixo de sua palestra o processo de criação dos fotógrafos, assumindo as indeterminações de fronteiras que marcam a contemporaneidade. 

Para ilustrar os possíveis caminhos dos processos criativos de fotógrafos, ela apresentou exemplos, como Bresson examinando lâminas de contatos, frames de DVDs que falam sobre fotografia, arquivos de contatos da Magnum. Citou também obras literárias que abordam o assunto como o livro Breve História do Erro Fotográfico, de Clement Cheroux; Poética do Acaso, de Ronaldo Entler; e Fotografia Expandida, de Rubens Fernandes Junior. Todos esse projetos e livros nos permitem conhecer critérios e estabelecer conexões entre a idéias e contextos de produção. 

imageFoto: Pétala Lopes

Para exemplificar todos os caminhos que um processo criativo pode tomar, principal material utilizado por Cecília foi o trabalho Atlas, de Gerhard Richter, que ela classificou como “um organismo que se desenvolve e muda”. Composto por fotos, desenhos, colagens, esboços, o trabalho é um vasto arquivo em processo, que foi aberto ao publico desta forma, publicado em revistas, exposto ainda que não terminado. “Atlas é uma coleta sensível de todas as coisas que o interessa [Gerhard Richter] e pode ser tomado como uma espécie de caderno do artista. Trata-se de um caso onde o processo de criação tornou-se obra. Ele mesmo é o seu processo de constituição”. 

imageFoto: Pétala Lopes

Assim, a fronteira entre o privado – as anotações, considerações, colagens, esboços – e o público deixa de existir. O processo criativo também envolve o olhar do outro, e as reflexões de como o outro afeta você e o seu objeto de criação viram parte integrantes do processo. 

O arquivo vivo nos coloca na rede cultural da qual ele faz parte (história da arte, fotografia, artes visuais) e pode ser estudado de diversas formas, como, por exemplo um conjunto de memórias, ou objeto de colecionismo. Diversas questões de processos podem ser desenvolvidas para nos ajudar a compreender a organização proposta pelo artista, que não necessariamente é a organização padronizada com a qual estamos acostumados. A mobilidade é uma das características da contemporaneidade e o processo criativo é uma ferramenta do contemporâneo. 

Workshop Transformando-se em proposta – o projeto na prática fotográfica contemporânea, com José Antonio Navarrete / primeiro dia: motivações, desejo e intencionalidade

O projeto é uma aposta no futuro. Com essa frase, o pesquisador, crítico e curador cubado Antonio Carlos Navarrete abriu o primeiro dia do seu workshop no Museu da Imagem de do Som - MIS SP. ”Poderíamos ser definidos como a ‘sociedade do projeto’. Vivemos imersos no desenvolvimento deles”. 

Muito se ouve falar de projetos, tanto pessoais quanto artísticos e, no mundo da fotografia não é diferente: é impossível aprovar orçamentos sem projetos, é a forma como o dinheiro circula nas instituições. Para que uma proposta vingue, é preciso conhecer a linguagem adequada.

Navarrete cita o russo Boris Groys, que diz que o futuro, de alguma maneira, possui as diversas variáveis contidas nos projetos elaborados pelas pessoas e acrescenta: “Tudo que vivemos, hoje, algum dia foi projetado por alguém no passado. Sim, nós vivemos diariamente uma espécie de anacronia. As exposições aqui no Museu, o evento em si… o projeto é a forma que encontramos de viver no futuro. Sempre vivemos o marco da realização do que foi pensado há um tempo atrás. Nunca vivemos em sincronia total com nosso tempo.”

O curador também não deixa de lado a relevância dos projetos não realizados. Afinal, não é difícil nos depararmos com exposições fotográficas que não aconteceram na época em que as fotografias foram tomadas. “Isso diz respeito à forma com a qual as instituições se comportavam e manejavam seus recursos”.

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Foto: Pétala Lopes

Em seguida, Navarrete explica que um dos principais eixos num projeto é a sua poética, ou seja, todos os critérios relacionados à criação, que guiam o pensamento de um artista. “Qual é a poética autoral por trás de uma obra e suas motivações?”, pergunta.

imageFoto: Pétala Lopes

Na poética, o artista estabelece as intenções que guiam sua proposta. Logo, ele enfatiza que é muito importante deixar o mais claras possíveis as motivações por trás de uma obra, e explica: “Nos juris onde participamos, recebemos centenas de projetos para analisar em pouco tempo. Se não há uma formulação clara, não há forma de defender a obra ante os outros avaliadores, coordenadores e diretores de uma instituição. Por mais que se goste ou que seja compreensível o sentido de uma obra, é muito importante explicar suas motivações com clareza e dizer não só o que se quer fazer, mas o que se quer comunicar.”

"O que se avalia é se o artista tem algo a dizer sobre seu trabalho. Os melhores projetos alcançam um nível de descrição bem desenvolvido, permitindo um salto de pensamento a quem recebe a proposta."

Apresentação de artigos da convocatória _ primeiro dia

Claudi Carreras abriu a primeira apresentação das convocatórias, seguido de Geórgia Quintas e Alexandre Belém, curadores do evento. Geórgia ressaltou a agradável surpresa que foi a convocatória de 2013, com inscrições de 8 países, 15 estados brasileiros e 6 artigos selecionados. As três participantes da primeira rodada de apresentações foram Luzia Renata da Silva, de Florianópolis; Ravena Sena Maia, de Salvador/São Paulo e Dunya Pinto Azevedo, de Belo Horizonte. 

Luzia Renata da Silva trouxe o artigo Anacronismos na Fotografia Contemporânea: as Meninas de Vermeer, que traçava um paralelo entre as obras A menina do Brinco de Pérolas e Leitora na Janela, de Johannes Vermeer com fotografias de Artur Omar e Tom Hunter, respectivamente. No primeiro caso, a pesquisadora trabalhou com o conceito de anacronismo, dando ao brinco de pérolas a qualidade de objeto anacrônico, que circula entre a obra oitocentista e a fotografia contemporânea. No segundo caso, ela demonstrou a ressignificação dada pelo fotografo à imagem da leitora, falando sobre as questões da comunidade onde vive em sua obra. 


Foto: Pétala Lopes

Ravena Sena Maia expôs o seu artigo, A Paisagem Fotográfica no ensaio “O Jardim”: a construção estética de uma singularidade. A pesquisadora, que já viveu em muitas cidades do Brasil, focou sua pesquisa na paisagem e avalia a mudança ocorrente entre a paisagem oitocentista e a paisagem da fotografia contemporânea. A primeira, com uma unidade completa, em cada ponto da imagem e a segunda, que representa a sociedade em transformação. A partir disso, Ravena analisa a obra de Pedro David, O Jardim, que desconstrói a paisagem clássica e insere objetos que representam a construção, o contemporâneo, a transformação. 

Então, finalizando o encontro, Dunya Pinto Azevedo explanou sobre seu artigo Imagens que relampejam – Múltiplas temporalidades no ensaio fotográfico de Guillaume Herbaut. Partindo do que a pesquisadora chama de imagem monumento, que representam alegorias da fotografia católica ocidental dentro do fotojornalismo,  chegamos à fotografia que dá visibilidade ao individuo comum, tanto na fotogradia de Guillaume quanto nos trabalhos de Sophie Calle e Rosangela Rennó, outros exemplos citados pela pesquisadora. 

Workshop Reportajear Humanos, com Ricardo Cases / primeiro dia: intuição e persistência.

A fotografia foi a linguagem comum entre brasileiros, espanhóis e argentinos durante o primeiro dia de workshop de Ricardo Cases. O fotógrafo espanhol, que atua em Madrid junto ao coletivo BlankPaper desde 2006, abordou a fotografia como discurso pessoal e apresentou trabalhos seus e de alguns outros fotógrafos espanhóis. 

“Existem fotógrafos que constroem uma realidade e outros que a buscam. Faço fotos que representem a minha realidade”, disse Ricardo. 

imageFoto: Pétala Lopes

Para ilustrar como a criatividade e a personalidade de cada fotógrafo constroem as imagens que eles produzem, Cases apresentou dois trabalhos que abordam o mesmo tema, mas que foram desenvolvidos de maneiras completamente diferentes. O primeiro foi a série Inward, da fotógrafa Camino Laguillo, que registrou pessoas dentro de seus carros no trânsito.

As fotos subspostas e delicadas, nos aproximam da intimidade daquelas pessoas que andam sozinhas, acompanhadas, distraídas, emocionadas, silenciosas.

Em seguida, Ricardo apresentou o trabalho Karma, de Oscar Monzón. Partindo da mesma premissa, Oscar tem um trabalho muito mais iluminado e agressivo. Cada trabalho reflete a personalidade e o ponto de vista dos artistas. O jogo entre imagem e música, em ambos os casos, dá ritmo à apresentação e completa as sensações que as fotos transmitem. “Cada um de nós tem um jeito de ver e fotografar o mundo e isso é a riqueza da fotografia”. 

Em seguida, apresentou seu recente e premiado trabalho Paloma al Aire e contou como a busca por laços mais estreitos com sua cidade e com a mãe o levou a desenvolver esse trabalho, que registra uma prática muito comum entre os espanhóis. “Gosto muito de trabalhar como que aparentemente não conheço”.  

Questionado sobre seu processo criativo, Ricardo foi simples e direto: “Meu processo criativo não é muito racional. Prefiro me lançar à sorte e encontrar realidades que me interessam e que tem a ver comigo. Prefiro trabalhar com a intuição, essa é minha maneira de ser”.  Ainda sobre a criação e seus processos, ele recomendou aos alunos persistência e aplicação em seus projetos, porque assim as fotografias resultarão em um trabalho impregnado da personalidade de cada fotógrafo. 

Antes de encerrar o primeiro encontro, os alunos tiveram a oportunidade de apresentarem alguns trabalhos, para uma troca de opiniões e percepções entre eles e Ricardo.

II Encontro Pensamento e Reflexão na Fotografia terá cobertura ao vivo

Dia 6 de junho começa o II Encontro Pensamento e Reflexão na Fotografia no Museu da Imagem e do Som de São Paulo! Serão três dias de workshops e palestras, com convidados do Brasil, Colômbia, Cuba, Espanha e México.

Além de convidados, o Encontro também abriu espaço para novos pesquisadores apresentarem seus trabalhos, através da Convocatória de artigos. Saiba aqui quem são os selecionados e o tema de suas palestras.

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Os ingressos para as palestras serão disponibilizados uma hora do início de cada atividade na recepção do MIS. Os que possuem Ingresso Permanente devem retirar sua credencial com Juliana Brito, que estará na entrada do Museu recepcionando convidados e participantes.

Confirme sua presença e convide seus amigos para o evento no Facebook.

A Livraria Madalena também estará no Encontro, trazendo títulos de editoras brasileiras e internacionais, com uma seleção especial de fotolivros e títulos teóricos.

Fruto de pesquisa constante dentro do universo editorial internacional, a Livraria visa fomentar a reflexão em torno das publicações de fotografia e proporcionar uma ampla imersão do público neste tema, incentivando o colecionismo de fotolivros no país.

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Kim Jong-Il looking at a book, imagem do livro “Kim Jong-Il Looking at Things”, de João Rocha e Marco Bohr.

Artigos selecionados: II Encontro Pensamento e Reflexão na Fotografia

Assim como em sua primeira edição, o Encontro tem como compromisso abrir espaço para pesquisadores apresentarem artigos que contemplem a discussão e o pensamento sobre o processo de criação na fotografia e suas diversas abordagens.

Veja abaixo a lista dos trabalhos selecionados, que serão apresentados entre os dias 6 e 8 de junho de 2013.

El efecto de realidad en la fotografía documental   
Autora: Nubia Angélica Caballero Pedraza @ Colombia, Bogotá

Interfaces entre fotografia e pintura: Bachelot Carol
Autora: Niura Legramante Ribeiro @ Brasil, Porto Alegre

A Paisagem Fotográfica no ensaio “O Jardim”: construção estética de uma singularidade
Autora: Ravena Seia Maia @ Brasil, São Paulo

Anacronismos na fotografia contemporânea: as Meninas de Vermeer
Autora: Luzia Renata da Silva @ Brasil, Florianópolis

El viaje de los afectos
Autora: Blanca Magdalena Ruiz Péres @ México

Imagens que relampejam - Múltiplas temporalidades no ensaio fotográfico de Guillaume Herbaut
Dunya Pinto Azevedo @ Brasil, Belo Horizonte

Programação do II Encontro Pensamento e Reflexão na Fotografia

Tudo pronto para o começo do II Encontro Pensamento e Reflexão na Fotografia! De 6 a 8 de junho, o Museu da Imagem e do Som - MIS SP dedicará um espaço especial para a reflexão da linguagem fotográfica: palestras, workshops e apresentações de artigos selecionados por convocatória, abrindo espaço para os novos pensadores da fotografia. A Livraria Madalena também estará no Encontro, com uma seleção que mistura fotolivros exclusivos no país a títulos teóricos de autores de referência. 

Todas as atividades são gratuitas e abertas ao público. Aqui te explicamos como participar:

CONVOCATÓRIA DE ARTIGOS - últimos dias para enviar seu texto

Foi prorrogado até o dia 19 de abril o envio de artigos e pesquisas tendo a fotografia como tema. Os selecionados irão apresentar seus textos durante o encontro, e os não residentes em São Paulo terão despesas de hotel a bilhetes aéreos pagos pela organização. Saiba aqui como enviar sua pesquisa. 

PALESTRAS

Para assistir às palestras, basta retirar os ingressos no local com uma hora de antecedência.

Para obter o ingresso permanente e assistir à totalidade das palestras, preencha o formulário no site do MIS com uma carta de intenção - desta forma é possível obter um certificado de participação do evento. 

 

WORKSHOPS - estão abertas as inscrições para os workshops de Ricardo Cases e José Antonio Navarrete

No workshop "Reportajear" humanos, Ricardo Cases irá falar sobre a relação que estabelece com as pessoas que fotografa, a questão da fotografia como profissão e meio de expressão pessoal e formas de manter a marca autoral em trabalhos comerciais. Seu fotolivro Paloma al Aire foi eleito um dos melhores fotolivros de 2012 pelo British Journal of Photography. Os alunos também poderão apresentar seus portfólios para uma análise coletiva.

Outro workshop será ministrado pelo curador cubano José Antonio Navarrete: Transformando-se em proposta – O projeto na prática fotográfica contemporânea discutirá a elaboração de projetos como aspecto fundamental para o bom desenvolvimento de práticas na fotografia autoral. Navarrete foi curador de fotografia do Museu de Belas Artes de Havana entre 1984 e 1989 e atualmente se dedica à pesquisas voltadas a arte e política na América Latina, através do programa acadêmico do JP Getty Foundation, Estados Unidos. 

No total são 60 vagas, que serão preenchidas através de processo de seleção (carta de intenção e mini biografia). As inscrições podem ser feitas até o dia 15 de maio. A divulgação dos selecionados será no dia 20 de maio no site do MIS e por email para os inscritos.

Clique aqui para se inscrever nos workshops e nas palestras.

Veja a programação do II Encontro Pensamento e Reflexão na Fotografia (clique na imagem para ampliar)

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Claudia Jaguaribe lança livro Sobre São Paulo com fotografias 
que compõem uma panorâmica de quase 20 metros

Livros acabam de chegar ao Estúdio © Pangeia de dois

Depois do sucesso do livro sobre o Rio de Janeiro (Entre Morros, Cosac Naify, 2012), a fotógrafa Claudia Jaguaribe lança Sobre São Paulo, em abril, durante a SP-Arte, no Pavilhão da Bienal, no Parque do Ibirapuera.  A obra marca a estreia na área editorial do Estúdio Madalena, que há 20 anos atua no mercado de produção cultural relacionado à fotografia e realiza eventos como o Paraty em Foco – Festival Internacional de Fotografia. A linha editorial proposta pelos sócios Iatã Cannabrava e Claudi Carreras são fotolivros de vanguarda, incluindo mais dois lançamentos este ano: um de Iatã, sobre a Rússia, e outro do espanhol Ricardo Casses, a respeito de Miami.

© Pangeia de dois

Claudia Jaguaribe é carioca, mas vive há 24 anos em São Paulo. “O trabalho sobre o Rio, com diferentes perspectivas e montagens, me abriu um caminho para fotografar a cidade onde moro, que é mais difícil, porque o dia a dia consome o olhar criativo. Estava cansada da fotografia urbana que reproduz o que vemos, isso está desgastado”, conta a fotógrafa. “No livro quase não aparecem pessoas, pois a dimensão da cidade anula a escala humana”.

© Pangeia de dois

O trabalho foi produzido durante um ano e meio, entre 2011 e 2012. Foram quatro sobrevoos de helicóptero e dez subidas em coberturas de prédios, entre eles os tradicionais edifícios da Fiesp, o Martinelli e a nova torre do Santander. “Não sou documentarista, a minha questão é artística e quis fazer um trabalho que mostrasse a dificuldade de visualizar a dimensão espacial da cidade. O tamanho de São Paulo é exorbitante, se perdem as fronteiras, e fotografar do ponto de vista do pedestre não fazia sentido. Por isso optei por um ponto de vista frontal, aéreo e afastado. Realizei montagens e junções do material fotográfico, criando imagens panorâmicas que se estendem como se estivéssemos desenrolando um novelo de cidade emaranhada. Daí surgiu a ideia de fazer o livro em formato de sanfona. O mapeamento é subjetivo, o que eu quero é transmitir a sensação de imensidão e complexidade dessa cidade”, explica Claudia.

© Pangeia de dois

Com projeto gráfico inusitado, o livro em formato sanfona pode ser aberto em sua totalidade, revelando, em 19,76 metros, cinco sequências panorâmicas de São Paulo.

© Pangeia de dois

O verso traz trechos de textos e músicas sobre São Paulo escolhidos pela própria fotógrafa, que vão de Padre José de Anchieta a Criolo, passando por Paulo Leminski, Arnaldo Antunes e até Prestes Maia.

© Pangeia de dois

A colaboração de artistas e do público em geral será intensificada na próxima etapa do projeto, com uso da internet e redes sociais, em que Claudia quer retratar o cotidiano e os afetos da cidade, ao representar quem são e como vivem dentro deste espaço. “No livro Sobre São Paulo, mostro a cidade por fora. A sequência será outro livro e uma exposição, que contarão com intervenções de grafiteiros, arquitetos, artistas e do público recrutado via internet”, antecipa a fotógrafa.

Aberta a convocatória para o II Encontro Pensamento e Reflexão na Fotografia

Até o dia 10 de abril é possível enviar textos e artigos para a Convocatória da segunda edição do Encontro Pensamento e Reflexão na Fotografia. Com o tema “A criação e seus caminhos”, o evento acontece no Museu da Imagem e do Som – MIS, em São Paulo (SP) de 6 a 8 de junho de 2013. 

Veja aqui o PDF da convocatória em português e espanhol e o formulário de inscrição.

Serão aceitos artigos que contemplem a reflexão e o pensamento sobre o processo de criação na fotografia e suas diversas abordagens. Poderão se inscrever pesquisadores de qualquer parte do mundo, desde que os trabalhos sejam apresentados em português ou espanhol. Os seis autores selecionados serão convidados a apresentar seus artigos durante o Encontro. Para aqueles não residentes em São Paulo, a organização oferece estadia e bilhetes aéreos. 

No Encontro, além das apresentações de artigos, serão promovidos workshops, debates e entrevistas. O objetivo da iniciativa é colocar em questão a reflexão sobre a criação, visando estreitar os distintos campos de atuação do fazer fotográfico e promover cada vez mais o entendimento sobre a fotografia, inserida a debates de conteúdo informativo e reflexivo.