João Wainer visita o Estúdio Madalena numa linda terça-feira de sol.
“Eu gosto desse vermelho, é a cor do exu. O exu vê tudo, é acima de tudo um grande observador – vejo essa semelhança com o trabalho do fotojornalista – e ele detesta ser enganado.”
Documentário feito pelo Pangéia de Dois para o Encontro Pensamento e Reflexão na Fotografia, promovido pelo MIS-SP com produção do Estúdio Madalena.
Com o objetivo de incentivar e difundir a fotografia ibero-americana, a Editorial RM irá premiar um fotógrafo com a publicação de um fotolivro. As inscrições vão até 29 de junho. Além de ter seu livro publicado com tiragem de mil exemplares, o ganhador terá a publicação distribuída mundialmente pela editora. “A distribuição em larga escala é uma peça fundamental do concurso, que tem como objetivo projetar internacionalmente novos trabalhos ibero-americanos”, afirma Claudi Carreras, um dos jurados do prêmio.
“Desde a publicação de Fotolivros latino-americanos há um interesse crescente em publicações deste gênero. Estamos vivendo um momento decisivo, e a ideia de fotolivro parece ainda não estar muito difundida. O livro de Horacio Fernández é essencial para deixar claro que um fotolivro é diferente de um livro com fotos”, acrescenta Carreras.
Em suas duas últimas edições, o concurso se restringiu aos países da América Latina, mas desta vez também podem se inscrever fotógrafos residentes na Espanha e em Portugal. O concurso é direcionado a fotógrafos profissionais, estudantes de fotografia e amadores. Veja aqui o Catálogo 2012 da editora e confira aqui o regulamento em português.

Dia 6 de junho, o Instituto Cervantes de Madri apresenta a exposição ”Esquizofrenia Tropical”, que integra a programação do festival PHotoEspaña (PHE). São duzentas fotos de 16 jovens fotógrafos de seis países hispanoamericanos: México, Argentina, Bolívia, Brasil, Chile e República Dominicana.

Os trabalhos escolhidos para a mostra foram selecionados através do projeto “Transatlántica”, organizado pela AECID (Agencia Española de Cooperación Internacional para el Desarrollo), pelo PHotoEspaña na Bolívia (AECID/Embajada de España) e em Santo Domingo (Centro Cultural de España). A iniciativa foi articulada por Víctor García de la Concha e Claude Bussac, diretores do Instituto Cervantes e do PHotoEspaña, respectivamente. A curadoria da exposição é de Iatã Cannabrava.
Duas realidades contrapostas
A exposição reflete a bipolaridade, ou esquizofrenia que vem afetando a América Latina nos últimos tempos devido a duas circunstâncias contrapostas: de um lado, a tranquilidade proporcionada pelo desenvolvimento econômico, e de outro, a persistência de numerosos dramas sociais.

As obras – instalações e fotografias sobre diferentes suportes – se apresentam em 14 projetos ou ensaios fotográficos que refletem a visão dos artistas sobre essa dupla realidade.

O curador explica que as mudanças na sociedade latinoamericana – o crescimento econômico, o otimismo sobre o futuro e a ascenção da classe média – geram trabalhos visuais inéditos na fotografia documental neste território. “Através destes trabalhos é possível falar de uma fotografia sem sofrimento, tanto no conteúdo quanto na forma”, afirma Cannabrava.
Mesmo assim, os fotógrafos selecionados não abandonaram o olhar comprometido, tão presente na produção fotográfica recente latinoamericana. Assim, os trabalhos continuam expondo numerosas sequelas sem perspectiva de solução imediata, como a violência.
Essa dualidade também se expressa na montagem da exposição, que leva o espectador a dois caminhos. No meio da sala surge o espetáculo: a escala gigante das megacidades que crescem desenfreadamente. Nas zonas laterais, a mudança, se oferece um passeio por uma América Latina mais intimista, seja em paz ou em guerra.

Novos Talentos
Como nas três edições anteriores do Photoespaña, o Instituto Cervantes exibe trabalhos de jovens fotógrafos da América Latina, numa aposta de apoiar novos nomes e contribuir com a difusão e visibilidade de propostas renovadoras que emergem do outro lado do Atlântico.

Anteriormente, foram organizadas as exposições “Resiliencia” (en 2009), “Encubrimientos” (2010) y “Peso y levedad” (2011).
Esquizofrenia Tropical
Quem? Melba Arellano (México) | Lucia Baragli (Argentina) | Guadalupe Casasnovas (República Dominicana) | Patricio Crooker - Alfredo Zeballos (Bolivia) | José Luis Cuevas (México) | Pedro David (Brasil) | Alejandro Kirchuk (Argentina) | Mayra Martell (México) | Tatewaki Nio (Brasil) | Alejandro Olivares (Chile) | Jorge Taboada (México) | Inés Tanoira - Franco Verdoia (Argentina) | Tuca Vieira (Brasil) | Nicolás Wormull (Chile)
Quando? abertura 6 de junho de 2012 às 20h :: visitação de 7 de junho a 16 de setembro :: terça a domingo, das 11h às 20h feriados das 11h às 14h fechado às segundas-feiras.
Onde? Sede central do Instituto Cervantes :: c/ Alcalá, 49, Madrid
+ visitas guiadas ao público nos sábados e domingos de junho, exceto dia 30, e aos sábados de julho às 18h.

Quando o presidente norte-americano se referiu ao ex-presidente operário brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva como “this is the guy” já tinha começado há um bom tempo o que hoje se pode chamar de uma campanha mundial de amor pelo Brasil do dia pra noite deixamos de ser unicamente a terra da mulata do futebol da violência do samba suor e cerveja para nos tornarmos a terra prometida algo como a 5º economia a nação verde a sede da copa de 2014 e das olimpíadas de 2016 utilizando trecho da canção de Chico Buarque fado tropical eu diria que “ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal: ainda vai tornar-se um imenso Portugal!” mas achei importante ver como alguns artistas veem essa terra prometida sem preconceitos sem sofrimento mas com extrema acuidade e com ironia fina indispensável a uma discussão como esta terra prometida de Claudia Jaguaribe mostra Dr. Jekyll and Mr. Hyde sempre abraçados terra prometida de Cássio Vasconcellos define o Brasil como um grande congestionamento terra prometida de Dimitri Lee reordena o paraíso ou será o Inferno? Enquanto Roberta Carvalho coloca o olho que espia este conto de fadas contemporâneo.
Em comum, os 4 artistas convidados têm o exercício da realidade construída. A partir de imagens de seus próprios arquivos ou de fotos produzidas meramente como um primeiro passo do que logo irá se transformar numa imagem resignificada, reorganizam os elementos de nossas paisagens, criando, seja pela repetição, seja pela comparação, ou até mesmo pela sobreposição destes layers que configuram cidades como o Rio e São Paulo, imagens que são muito mais o reflexo do que é a terra prometida do que uma cena a olho nu pode nos oferecer.
Não seria o Rio de Janeiro de Claudia, com todos esses seus planos estranhamente fakes, mais Rio de Janeiro do que nunca? Estamos orgulhosos de nossa grandeza enquanto Cássio nos põe diante do megatrânsito, tão cotidiano para os brasileiros, e ainda consegue nos fazer pisar no povo! Dimitri aposta no caos como o único resultado possível desta mistura que é o Brasil, e a jovem Roberta nos coloca diante da natureza mais pura, um rosto numa árvore.
Iatã Cannabrava
Curador
Estúdio Madalena

De acordo com alguns gurus da fotografia, o século XXI será o século da fotografia gasosa. No momento, sabemos que, sem dúvida alguma, é o século das economias inflamáveis.
Emergindo da zona do euro, pasto das chamas inquisitoriais dos mercados, uma luz esparrama-se em direção de nossa retina para revelar-nos um segredo: que os milagres ainda existem. E acontecem mais além do Atlântico.
Com TERRA PROMETIDA, o comissário brasileiro Iatã Cannabrava oferece-nos uma visão pan-óptica que nos conduz a quatro perspectivas artísticas muito diferentes sobre uma mesma ideia: essa terra promissora, repleta de prosperidade, possibilidades, crescimento e, principalmente, futuro, em que o Brasil está se convertendo. Um país que está conseguindo aquilo que lhe é ainda mais difícil, alterando seu próprio imaginário. A partir de uma latente ironia, Cannabrava tece uma jornada visual por esse crescimento superlativo para mostrar-nos suas dúvidas, discursos, desequilíbrios, harmonias, contradições e presentes.
Neste catálogo e sua correspondente exposição, a Casa Amèrica Catalunya tem a magnífica possibilidade de reunir trabalhos de artistas da fotografia contemporânea brasileira como Claudia Jaguaribe, Cássio Vasconcelos e Dimitri Lee. Junto a eles, Cannabrava apresenta uma quarta jovem artista visual: Roberta Carvalho.
Ao lado de Jaguaribe viajaremos por megalópoles multiplicadas até o infinito que conseguem transmitir-nos serenidade e não sufoco. Com Vasconcellos sobrevoaremos paisagens longínquas dimensionadas com um nível de detalhe tão incrível que nos fará duvidar da veracidade da visão. Com Lee mergulharemos num caleidoscópio ambiental fragmentado e somente belo em sua totalidade. Com Carvalho descobriremos o desassossego que pode produzir um olhar ancestral sobre o próprio.
Existe uma Terra Prometida. Esse lugar físico, líquido, sonoro e gasoso está no Brasil. E é para os próprios brasileiros, cidadãos de um continente em ebulição constante. Passem e vejam.
Marta Nin
Diretora de Cultura e Exposições
Casa Amèrica Catalunya

Foi inaugurada no dia 24 de maio, em Barcelona (ES), a exposição Terra Prometida.

Brasil ya es una de las primeras potencias mundiales. Y todavía puede crecer mucho más. Grandes ciudades e infraestructuras, recursos naturales y fuerza laboral, son el punto de partida de un grupo de artistas que ofrecen su visión de lo que ha hecho de Brasil una tierra prometida.
Brasil. Tierra Prometida, es una muestra de Casa Amèrica Catalunya comisariada por el fotógrafo y agitador cultural Iatã Cannabrava. Cuatro artistas interpretan con diferentes canales visuales lo que consideran “una campaña mundial de amor por Brasil”, en palabras de su comisario.
“De la noche a la mañana dejamos de ser únicamente la tierra de las mulatas, el fútbol, la violencia, la samba, el sudor y la cerveza, para convertirnos en la tierra prometida, una cosa así como la quinta economía mundial, la nación verde, la sede de la Copa del 2014 y de las Olimpiadas del 2016”, explica Iatã Cannabrava.
Diferentes artistas interpretan esta tierra prometida. Para Cláudia Jaguaribe es Dr. Jekyll y Mr. Hyde siempre abrazados; para Cássio Vasconcellos es una gran congestión; Dimitri Lee reordena el paraíso –¿o será el infierno?- mientras que Roberta Carvalho pone el ojo espia en este cuento de hadas contemporáneo.
En conjunto, los cuatro artistas invitados hacen un ejercicio de construcción de la realidad, reorganizando los elementos de nuestros paisajes.
Con Tierra Prometida, el comisario brasileño Iatâ Cannabrava nos ofrece una visión panóptica, gracias a la cual podemos recorrer cuatro miradas artísticas muy diferentes sobre una misma idea: aquella tierra promisoria, cargada de prosperidad, posibilidades, crecimiento y, sobretodo, futuro en que se está transformando el Brasil. Es la visión de Marta Nin, directora de Cultura y Exposiciones de Casa Amèrica Catalunya. “Un país que está consiguiendo el todavía más difícil al cambiar su propio imaginario. Desde una ironía latente, Cannabrava teje un recorrido visual por aquel crecimiento superlativo con el propósito de mostrarnos las dudas, discursos, desequilibrios, armonías, contradicciones y presentes”, dice la coordinadora general de la muestra.
En esta exposición, Casa Amèrica Catalunya tiene la magnífica posibilidad de sumar los trabajos de artistas de la fotografía contemporánea brasileña como Cláudia Jaguaribe (2 series, 8 obras), Cássio Vasconcellos (4 obras) y Dimitri Lee (4 obras). A estos autores, Cannabrava añade una cuarta artista visual novel: Roberta Carvalho (2 vídeos y 1 instalación en la calle, sólo del 21 al 26 de mayo).
Marta Nin describe así las obras de Brasil. Tierra Prometida: “De la mano de Jaguaribe viajaremos por unas megalópolis multiplicadas hasta el infinito que consiguen transmitirnos serenidad y no asfixia. Con Vasconcellos sobrevolaremos paisajes lejanos dimensionados a un nivel de detalle tan increíble que llega a provocarnos dudas sobre la veracidad de la visión. Con Lee nos someteremos a un calidoscopio medioambiental fragmentado y bello sólo en su totalidad. Con Carvalho descubriremos la inquietud que puede provocarnos una mirada ancestral sobre aquello que es propio”.
Para reflexionar sobre todo esto en Casa Amèrica Catalunya celebraremos unas jornadas de debate del 21 al 24 de mayo. Sociólogos, arquitectos y empresarios debatirán sobre el mito del Dorado. El exministro de Desarrollo Social y Lucha contra el Hambre en el Brasil Patras Ananias de Sousa y el escritor Paulo Lins , entre otros, debatirán sobre la fuerza de este país. El medio ambiente y el urbanismo serán otros temas destacados de estas jornadas, que acabarán con la visión personal de los artistas participantes a la exposición. La muestra se podrá visitar hasta el 26 de octubre.
Curadoria Iatã Cannabrava
Coordenação Geral Marta Nin
Coordenação de montagem Pedro Strukelj
Assistente de curadoria Luciana Rocha
Coordenação editorial Irene Paris B. de Hollanda
Projeto gráfico Elohim Barros
Tradução Nuria Riambau
Impressão Impressionart
Iluminação Toño Sáinz
Produção audiovisual Codi-AV
Onde? Casa Amèrica Catalunya :: c/Còrsega 299, entresuelo, 08008 :: Barcelona
Quando? 24 de maio a 26 de outubro de 2012 :: segunda a sexta, das 10h às 14h + 16h às 20h
$? Gratuito.
+ info www.americat.cat :: premsa@americat.cat :: 00.34.93.238 06 61
Antes que começasse a última mesa do I Encontro Pensamento e Reflexão na Fotografia, “Curadoria contemporânea: a pesquisa crítica como construção de reflexão”, uma projeção em homenagem ao livro Rua de Guilherme de Almeida e fotografias de Eduardo Ayrosa foi exibida. O vídeo foi produzido pelo Pangeia de Dois.
A plateia, que agora já se espalhava pelos corredores e se apoiava nas paredes, aplaudiu o filme e, em seguida, a entrada dos convidados para o início da mesa. Agora, a discussão é a curadoria na atualidade. “O primeiro contato do curador com o artista é o de tentar decifrar um universo poético, um labirinto estético e conceitual, para tentar entrar nesse universo e traduzi-lo, de uma forma que seja uma mão titubeante, mas segura, para encaminhar o público dentro dele”, iniciou Eder Chiodetto, curador, fotógrafo e editor.
© Marcela Jones
Após arriscar a definição do papel do curador, Eder revelou: “Uma das minhas grandes preocupações como curador é a costura entre obras e artistas. Como promover o encontro de poéticas que, juntas, podem se apagar ou que, juntas, podem criar uma terceira possibilidade simbólica”.
© Marcela Jones
O desafio de juntar trabalhos de autores diferentes também foi um dos temas na fala de Diógenes Moura, que explorou a questão ao compartilhar alguns de seus trabalhos de curadoria, como “Bom Retiro e Luz: um roteiro” e “Andy Wahrol – Superfície”. Este último, aliás, exposto há apenas alguns metros do auditório do MIS e, sobre ele, Diógenes provoca: “Andy Wahrol não era um grande fotógrafo, a gente sabe disso, mas foi um cara que avançou na fotografia documental”.
© Marcela Jones
A fala seguinte, de Juan Antonio Molina, também foi provocadora e crítica. Ele contextualizou a discussão em um ambiente capitalista, falando sobre o mercado da arte e as tensões em torno da produção artística, que pode resultar em uma “dinâmica perversa em que se inclui o curador, entre a decoração e o espetáculo”. Antes de abrir o microfone para as perguntas da plateia, o mediador Claudi plantou a polêmica: “o curador que não assume seu papel politico vira um decorador?”
O último dia do I Encontro Pensamento e Reflexão na Fotografia manteve o nível do debate dos dias anteriores, agora privilegiando os temas web e curadoria. A mesa que abriu as atividades foi “Difusão e experiência: A multiplicidade de meios e convergências na contemporaneidade”.
Os três palestrantes convidados para discutir o tema têm em comum a atuação na web, que foi exposta por meio de estudos de caso. Por isso, a mesa não conta com um mediador, favorecendo a livre exposição de cada um.
© Marcela Jones
O primeiro a falar foi Ronaldo Entler, jornalista, professor da FAAP e um dos fundadores do Blog Icônica. Ele agradeceu aos organizadores e ao museu: “Fico muito feliz de ver o MIS retomando a força dessa programação de fotografia”.
© Marcela Jones
O Icônica foi criado em 2009 e, hoje, é composto por quatro profissionais. “O blog é essa ferramenta que articula um grande potencial, que é a possibilidade da profundidade, típica da academia, com essa divulgação e diálogo, típicos das redes sociais”, coloca Ronaldo.
© Marcela Jones
Essa troca e proximidade proporcionadas pela internet são um dos aspectos que encanta a curadora Mane Adaro, do blog Chilenización de la Fotografía e La acera del Frente: “A velocidade que a informação é transmitida me interessa. A capacidade de eco deste espaço também, como o mundo micro pode chegar ao mundo global e vice-versa”.
© Marcela Jones
O fotógrafo e professor da UNICAMP, Fernando de Tacca, compartilhou sua experiência como criador e editor da revista online Studium, fundada em 2000. Ela nasceu da necessidade de dar outro fim aos trabalhos acadêmicos que não as prateleiras empoeiradas de uma biblioteca. “A ideia é ter um texto originado na universidade com um caráter transdisciplinar que englobe um público mais amplo da fotografia”, sintetiza.
© Marcela Jones