Pela primeira vez presente no Encontro Pensamento e Reflexão da Fotografia, a Livraria Madalena marca a sua quarta participação itinerante pelos festivais e encontros de fotografia no país.
É impossível algum fotógrafo, amador ou profissional, entrar no espaço da Livraria Madalena e não encontrar pelo menos um livro que seja seu objeto de desejo. Viviane Vilela, responsável pelo espaço durante o Encontro contou que um dos diferenciais da livraria é que a equipe desenvolve pesquisas, principalmente junto a autores e editoras de fotolivros para encontrar novos e significativos trabalhos. Assim, além de livros que são referencias nacionais e internacionais e trabalhos mais conceituais, também encontramos novos artistas, obras independentes e fotolivros exclusivos.
© Pétala Lopes
Outra categoria muito bem alimentada na Livraria Madalena são as revistas especializadas da área, vindas de todos os lugares do mundo, como a holandesa Foam, a Elephant, a The Shelf e a brasileiríssima Zum, que além de trazerem um conteúdo indispensável, ainda apresentam um acabamento, papel e direção de arte de extremo bom gosto e criatividade.
© Pétala Lopes
Para o Encontro, a Livraria Madalena trouxe 290 títulos diferentes. Um dos destaques é o premiado Redheaded Peckerwood, do fotógrafo Christian Patterson (Mack Books). Lançado em 2011 e já em sua terceira edição, o livro venceu o Recontres d’Arles Author Book Award de 2012.
A grande novidade é que no dia 29 de junho acontecerá, no Estúdio Madalena, em São Paulo, a Noite do Fotolivro, que marca também a instalação da Livraria Madalena em um espaço fixo. Compareçam, conheçam o espaço e enriqueçam suas bibliotecas.
O encerramento do II Encontro Pensamento e Reflexão em Fotografia trouxe o genial Agnaldo Farias, professor na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo, critico e curador.
Passando por diversos temas, da arquitetura à poesia, Agnaldo hipnotizou a platéia lotada, com um show de conhecimento e simpatia. Com a proposta inicial de falar a respeito de dois artistas e suas obras, ele acabou inserindo, no improviso, o fotografo Mauro Restiffe, que o antecedeu nas apresentações do dia. Assim, deu-se inicio a uma desconstrução e análise do nome do evento, primeiro com a palavra criação, “eu não gosto da palavra criação. E eu acho que essa palavra atrapalha tudo e acaba colocando o trabalho do artista em um lugar errado. É um termo romântico, com ligação ao divino. A criação é o conceito de algo que surge a partir do nada. Essa palavra encobre a verdadeira natureza do trabalho do artista. Não acho que essa palavra deva ser exterminada, mas deveria ser rebaixada”. O Pensamento e a Reflexão, no entanto, são muito mais bem vistos pelo professor, que conclui o raciocínio anterior dizendo “Pensar e refletir eu gosto. Gosto muito. E esse já é um posicionamento que coloca a criação em um segundo plano mesmo. A reflexão é a ontologia da fotografia”.
Foto: Pétala Lopes
Seguimos em frente, acompanhando a velocidade do pensamento de Agnaldo Farias, que passa a falar do trabalho de Mauro Restiffe e os aspectos que, segundo o curador, o tornam genial, como as fotos feitas na Casa de Vidro, de Philip Johnson, um clássico da arquitetura moderna. “Essa foto é resultado de um olho profundamente culto, sensível e de muito trabalho. Na falta de palavra melhor, podemos dizer que isso é criatividade, mas é, na verdade, a sensibilidade de Mauro, que faz com que ele se destaque como fotografo”, ressalta Agnaldo.
“A fotografia tem sempre um componente realista, um pé no mundo. Mas o mundo é vasto, ela pode ir pra muitos lugares”, nos conduz Agnaldo, para o próximo artista, Pedro Motta e sua série Reação Natural, associada, pelo professor, à Casa Tomada, de Julio Cortázar, mas nesse caso, num caminho inverso, de fora pra dentro. O conhecimento de Agnaldo Farias é delicioso de ser ouvido, somado a histórias divertidas e análises muito bem humoradas de características da fotografia e do próprio Brasil como um país que é composto de tantas misturas, tantas características extremas.
Foto: Pétala Lopes
“De que importa saber se um foto é manipulada ou não? Qual não é? E o que importa é a imagem, não? Não é isso que importa? A capacidade de você produzir uma imagem potente, forte, que você não esquece, que te acorda à noite”, diz Agnaldo, antes de nos levar para a próxima artista, Sophia Borges.
Enquanto observávamos um retrato chamado “Coruja”, cujo dorso de um corpo ostenta uma densa plumagem, que nos impede de ver qualquer rosto, Agnaldo Farias nos orienta pelo pensamento da fotografa, que construiu seus personagens sem se prender as barreiras que geralmente nos colocamos, “Isso não existe no mundo, mas existe na minha cabeça. E eu sou capaz de pensar nisso. E eu sou do tamanho do que eu penso.“
É um exercício muito interessante escrever sobre uma palestra como essa, pois, mesmo com tantas anotações e gravações, mesmo querendo detalhar e colocar aspas para não perder detalhes fundamentais do seu discurso, ainda assim, não parece possível deixar claro o quanto é grande e importante ouvir uma fala como essa.
Foto: Pétala Lopes
Seja você um estudante ou um fotógrafo com 50 anos de experiência, saber nunca é demais. Criar conexões com arte, música, poesia, arquitetura, medicina ou qualquer outro assunto só fará crescer o nosso fazer como artistas e como humanos. E, como disse Agnaldo, encerrando sua palestra e o II Encontro, “Tudo o que nós fazemos cresce, inclusive a fotografia”.
Logo depois de Christian Cravo, o fotógrafo Mauro Restiffe falou sobre sua produção nos últimos 15 anos. Ao invés da ordem cronológica, Mauro organizou a apresentação por momentos decisivos de sua trajetória e mudanças de perspectiva: da metalinguagem às paisagens solitárias e povoadas.
Foto: Pétala Lopes
Mauro começa mostrando três fotografias de imagens. Primeiro, uma fotografia pendurada em uma parede; em seguida, o detalhe de um quadro numa galeria e, em seguida, uma paisagem pintada no Largo do Arouche. “São fotografias ou pinturas? Paisagens reais? Me interessa como a imagem apresenta-se no espaço.”



Fotos: Mauro Restiffe
No começo de sua produção, o fotógrafo conta que seu foco foram os interiores, com especial atenção à questão dos planos e elementos dentro de uma imagem. Outra vertente importante em seu trabalho é a arquitetura, como os trabalho Vertigem e O Aquário, que em suas instalações sempre levam um cuidado especial com a forma que se comunicam com o espaço.
Foto: Vertigem, Mauro Restiffe
Foto: O Aquário, Mauro Restiffe
A partir do ano 2000, Mauro passa a explorar os exteriores e cenas reais, com uma forte influência formal da pintura. Seus trabalhos voltam-se à rua, com pesados contraluzes inspirados em Garry Winogrand. “Os jogos de luz que obstruem nossa visão resultam num contraponto à fotografia como esclarecimento de algo.”
Foto: Mauro Restiffe
Na mesma linha, ele apresenta o trabalho que desenvolveu a convite da revista ZUM na Nova Luz, bairro do centro de São Paulo que, na época, passava por uma “revitalização”. As fotos foram tomadas sempre no final da tarde, mostrando a calma do centro da cidade no final do experiente, sendo sutilmente tomada pelas pessoas. Mauro também citou outro ensaio feito em São Paulo, desta vez no Centro financeiro, encomendado pelo Centro Cultural Banco do Brasil.

Fotos: Mauro Restiffe
Em seguida, fala sobre o ensaio feito em um conjunto habitacional em Tlatelolco, Cidade do México, conjunto habitacional modernista que foi palco de diversas tragédias. Mostra imagens tiradas no entorno da praça das três culturas, que vem dos três estágios da civilização mexicana, uma da cultura asteca, depois destruído pelos espanhóis, e logo o México contemporâneo. Houve ali um massacre em 1968 como repressão às manifestações contra o regime então vigente. Suas imagens mostram o interior das alamedas e cai para o sítio arqueológico. “O espectador tem que percorrer as imagens no espaço sequencialmente, tendo a mesma percepção que eu tive como fotógrafo durante a montagem”, explica.


Fotos: Mauro Restiffe
Sua série sobre a casa de vidro de Philip Johnson foi comentada na palestra seguinte, por Agnaldo Farias. “As imagens mostram as paredes liberadas de sua função. Fazendo uma casa sem paredes que vedam a visão, extingue-se a divisão entre espaço íntimo e externo. A fratura dessa relação levanta a questão de como se comportar agora. Existem textos que dizem como as pessoas que viviam nessas casas começam a se sentir.”


Fotos: Mauro Restiffe
O ensaio intitulado Empossamento, sobre a posse de Lula em 2003, lida com a questão da arquitetura, o destino de Brasília, ocupada de forma inusitada e quase desconstruída com a presença das pessoas.
Foto: Mauro Restiffe
A transição do prédio do Detran pro novo Museu de Arte Contemporânea, em São Paulo, é outro de seus trabalhos voltados à arquitetura, e continua exposto no MAC até o dia 8 de setembro de 2013. Mais uma vez, a montagem da exposição procura dialogar com o espaço, procurando posicionar as imagens nas cenas onde foram tiradas.

Fotos: Mauro Restiffe
Neto de fotógrafo, filho de fotógrafo e, quem sabe, pai de uma fotógrafa, Christian Cravo iniciou sua fala na penúltima apresentação do Encontro dizendo: “Não sou um orador, sou um fotógrafo.. A fotografia é a minha vida, a vida da minha família e por isso, pra mim, é muito mais fácil falar da minha vida para vocês”.
Vivendo uma transição no seu trabalho, Christian dividiu com a platéia lotada a sua trajetória de vida, que teve a fotografia desde o início como personagem, às vezes principal, às vezes coadjuvante. Uma trajetória também marcada pela ausência e pela perda, do pai e de amigos, sentimentos que tiveram papéis importante nas decisões de sua carreira.
Foto: Pétala Lopes
“Quando eu era criança, não tinha brinquedos, amigos, como as outras crianças. Os meus brinquedos, as minhas brincadeiras eram no ateliê do meu pai e do meu avô. Acho que de certa forma, passei grande parte da minha vida tentando conquistar meu lugar ao sol”.
Com os pais separados durante a sua infância, Christian foi viver com a mãe na Dinamarca, onde morou até os 17 anos. Durante esse período, percebeu seu interesse pela fotografia crescendo e se comunicava com o pai por cartas, trocando imagens e palavras. Chegando ao fim do colegial, incentivado por uma professora, voltou para o Brasil, sedento por conhecer melhor sua família, seu país e o seu olhar. Hoje, ele reconhece que esse período na Dinamarca foi muito importante para a sua fotografia.
Pensando nessa carreira que então se desenvolveu, Christian reforça, “a fotografia para mim não é uma profissão, é a minha vida. A fotografia é o melhor negócio para mim, pois nunca irá falir. É algo que eu preciso, que é inerente a minha compreensão da vida e da vida que me cerca”.
Foto: Pétala Lopes
Suas influencias artísticas vieram, obviamente, do pai e do avô, mas ele ressalta também outras importantes fontes de inspiração: Mario Cravo Neto, Sebastião Salgado e o artista renascentista Rembrandt, principalmente o uso da técnica do claro-escuro.
Podemos dizer que a primeira fase do seu trabalho fotográfico esteve focada na estética do humano e na fé. As pessoas, os retratos e a convivência com outras comunidades são os temas de suas fotografias ao longo de muitos anos. De certa forma, ele assume, em sua cabeça, havia um tipo de competição com seu pai, um processo até normal para alguém que vem de uma família como a dele.
Foto: Pétala Lopes
Então, a vida trouxe alguns acontecimentos concomitantes, que o fizeram repensar a sua busca. A morte do pai, evidentemente dolorida ainda hoje, e o terremoto no Haiti, terra onde desenvolveu a maior parte de seus trabalhos, colocaram Christian em contato com a fragilidade do ser humano, “a futilidade da vida”, como ele mesmo disse. Essa série de perdas o fez não querer mais fotografar pessoas. “O homem carrega sobre si uma cruz tão pesada que fica muito difícil para um fotógrafo lidar com isso. Para mim sempre foi muito difícil lidar com o ser humano”.
Agora, Christian segue uma nova pesquisa, fotografando animais, texturas e paisagens e redescobrindo seu olhar, sua fotografia e esse novo momento de sua vida, viajando para a África e sendo, segundo sua filha, um aventureiro.
No segundo dia de workshop, Navarrete retoma pontos cruciais no na elaboração de uma proposta. “Um projeto nada mais é do que o desenvolvimento da compreensão de um processo. Quanto mais conhecimento se tem de um problema, mais conseguimos entender as pragmáticas que derivam dele.”
Quando questionado sobre a autoria em trabalhos recentes de apropriação na fotografia, Navarrete responde que esta prática tem tido outro tratamento. Há lugares que definem até que ponto deve-se citar ou não o autor. Cita o exemplo de Cindy Sherman, que em um de seus trabalhos se apropria de um discurso, no caso, o do cinema. Sherman não se apropria de uma obra completa, mas sim dos modos com as quais os filmes se configuram.
“As apropriações têm diferentes graus e motivações. Citar a fonte do material apropriado também se relaciona à importância que tem o autor principal dentro da nova proposta. A fotografia constitui a plataforma teórica de toda proposta artística.”
Foto: Pétala Lopes
Uma aluna pergunta se é comum um projeto se alterar com o tempo. Navarrete diz que sim, e fala sobre um trabalho do venezuelano Carlos Cruz Diez, que nos anos 60 fez câmeras cromáticas com a intenção de mostrar aos espectadores a experiência da cor pura. No entanto, percebeu-se que depois de um tempo na câmara, os olhos das pessoas se saturavam da cor até distorcerem seus sentidos. Recentemente, o trabalho foi exibido com um outro discurso. Hoje, a justificativa do trabalho é a impossibilidade da pureza.
Foto: Pétala Lopes
O curador retoma o assunto da apropriação, afirmando que muitos trabalhos que poderiam ser considerados o arquivo de um processo criativo começa a circular no mundo da arte como obra legitimada. “Não digo que não se pode fazer, mas essas exposições não levam em conta o processo criativo e de edição do autor”, diz Navarrete.
Cita os usos da obra de Manuel Álvarez Bravo, que já havia, quando vivo, tomado as deciões a respeito de seu trabalho de forma indivudual. A difusão indiscriminada de suas fotografias faz com que elas, de alguma forma, percam sua energia. Desta forma, se ocultam ao receptor as práticas intelectuais e criativas do autor.
No terceiro e último dia do curso, Navarrete se voltou aos fatores decisivos na hora de conseguir recursos provenientes de editais e instituições. É importante que o uso da verba esteja detalhada e seja coerente, mas o principal é uma proposta bem esclarecida. “O mais comum é que o projeto seja aprovado e as instituições negociem posteriormente a adequação à verba.” Falou também sobre o quão comum é, nos Estados Unidos, artistas pedirem às empresas que elaborem seus projetos, ganhando uma porcentagem caso ele seja aprovado.
Foto: Pétala Lopes
“Outro fator importante é conhecer a quem o projeto se dirige, tanto as instituições para as quais a proposta é encaminhada quanto o público que deseja atingir.”
Na redação de projetos é preciso tomar cuidado com a poetização (diferente de poética), que torna o trabalho ininteligível. “Alguns projetos estão cheios de frases bonitas que não dizem nada”. Outro ponto é o uso de “pastilhas” teóricas, que podem abstrair o trabalho da poética.
É importante sempre associar a teoria à proposta concreta. “Sou apaixonado por teoria, mas os projetos que mais me interessam são aqueles que citam com clareza o que querem”.
“A proposta precisa expor claramente as relações entre o trabalho em questão e os desejos e intenções do artista”, conclui. Os pontos discutidos durante as aulas foram retomados quando diversos alunos apresentaram seus projetos, no final de cada dia do worshop.
A ultima palestra dessa sexta-feira ficou a cargo do pesquisador, critico e curador independente José Antonio Navarrete. Cubano, residente em Miami, ele tem desenvolvido uma intensa atividade na área da fotografia, especialmente na America Latina.
Para o encontro em São Paulo, Navarrete escolheu um tema que, para ele, “é pouco comum entre os fotógrafos e também pouco visto na America Latina, mas que é um tema existente, está aí e precisamos vê-lo e refletir a respeito”. Muito adentro da fotografia, Navarrete explorou a relação entre a fotografia e a abstração. “Sempre me pergunto se é possível a abstração total na fotografia, já que historicamente ela é definida a partir de suas referencias de luz e imagem”.
Foto: Pétala Lopes
Antes de abordar a abstração na fotografia contemporânea, Navarrete fez um breve passeio por obras modernas que já apresentavam características do abstrato e abriram caminhos para as fotografias de hoje. Entre os artistas modernos citados, vimos obras de Paul Strand, Alfred Stiglitz, Manuel Álvarez Bravo, Geraldo de Barros e Leo Matiz. Tais obras representavam imagens abstratas a partir de truques visuais que nos fazem levar um tempo para entender o que compõem a imagem, recortes de papel ou até mesmo interferências físicas nos fotogramas.
Foto: Pétala Lopes
“Durante os últimos 20 anos a fotografia abstrata tem crescido consideravelmente e voltou a ter lugar entre os protagonistas contemporâneos”. Passamos então para os artistas contemporâneos, que trabalham com a abstração de maneira muito interessante, como Maria Lin, James Welling, Hiroshi Sugimoto, Walden Besky, Herbert Bayer, Liz Deschenes, Thomas Ruff, Shirana Shahbazi. Navarrete destacou o trabalho principal de cada um desses artistas pois “o que me interessa nesse momento são os trabalhos fundamentais para essa problemática dentro da abstraçao e da fotografia contemporânea. São trabalhos que se desenvolvem em um plano informal e criativo, diferentes das praticas modernas, mas ainda assim, com uma referencia importante para a fotografia atual”.
Navarrete encerrou a sua fala explicando que o posicionamento teórico sobre a fotografia é, frequentemente, sobre determinadas poéticas, pois é difícil obter uma resposta teórica sobre um assunto tão amplo quanto o campo das imagens.
Tendo como guia o tema deste ano, “a criação e seus caminhos”, o pesquisador Mariano Klautau apresentou um texto que faz parte de sua pesquisa acadêmica intitulado “Imagens que geram imagens: entre a experiência e a poética”.
“Hoje a arte que vivemos é completamente aberta e em processo contínuo”, começa. Logo, passou para uma das abordagens principais da palestra, que é o nosso relacionamento com a poética de um artista no campo da perspectiva.
“A fotografia parece estar cada vez mais onipresente, não só na nossa trama social quanto na nossa experiência artística. Para muitos teóricos prevalece a ideia que não existe a fotografia no seu sentido estrito.”
Em seguida, questiona a ideia de pós-fotografia, tendo em conta que observar o processo do artista não obedece à cronologia. “Vivemos o desaparecimento de materialidades físicas no campo fotográfico. Podemos dividir esse mundo em três estágios: a era pré-fotográfica, a era fotográfica e a pós-fotográfica, que se sucedem afirmando uma linha evolutiva da história. A evolução dos equipamentos determina um outro jeito na produção e circulação das imagens. É igualmente importante percebermos que seja qual for o campo do conhecimento, quando frequentado pelo artista, as imagens não se sustentarão numa visão meramente evolucionista.”
Foto: Pétala Lopes
“O artista contemporâneo tem recolocado de forma ficcional a realidade, seja ela a partir de uma vivência social ou de dentro de casa. A fotografia parece ser um modo particular de aproximação de certas impressões, sensações de um mundo vivido.”
Ele mostra em seguida o trabalho de Ilana Lichenstein, Uma e outra Erupção, que constituem pequenos fios de historias particulares, que nos revelam ao mesmo tempo um universo onírico e algo muito palpável. “Ilana quer abrir para o espectador suas paisagens inteiores.”
O momento da captura é um momento pleno de imagens mentais e empatias potenciais. A imagem vista é um instante vivido pelo espectador, igualmente pleno, quando ocorre o reconhecimento de si nas imagens do outro. É aí que se dá o momento de empania, no retorno ao referente do outro que é agora nosso.
A experiência sensorial do espectador semelhante à experiência vivida pelo artista acaba por abrir uma paisagem dentro do espectador. ”A intenção é me deter no momento do aspecto criador no qual as funções práticas se dão de forma menos ordenada racionalmente, sem falar de sentimentos, percepção e experiencia. Tudo é raciocínio.
“Na fotografia muitos trabalhos jogam com o espectador as possibilidades vividas ou imaginadas”.
Mariano cita outro exemplo, o trabalho Screens, de Bruno Zorzal. “Ele constrói uma série continua, minimalista, e com seu enquadramento uniforme, apreende as pessoas em seus carros, fazendo quase com que se mergulhe na individualidade de cada personagem imerso no tráfego.”
Em seguida, Mariano comenta o trabalho Welcome Home, de Gui Mohallem. “Pessoas e objetos parecem flutuar dentro dos ambientes. No entanto, tudo parece palpavel, um exercício de aproximação lenta, o contato físico, e corporal com o meio.”
Spinario, de Lucas Gouvêa é o trabalho seguinte.
“Ele tem como referência as reproduções da escultura Espinário, retomando-as em uma experiência performática usando uma câmera pinhole digital. “A ação quase nos fura os olhos. Podemos sim apagar nossas imagens, esquecer nossas lembranças para que seja possível assim viver.”
O workshop mais animado do II Encontro Pensamento e Reflexão foi, provavelmente, o de Ricardo Cases. Entre aplausos, risadas, gritos e até uma rápida corrida pelo MIS, os dois últimos dias de aula foram ricos de imagens e ideias.
Ricardo Cases concentrou-se em ver os trabalhos dos alunos, que trouxeram fotos impressas, digitais, vídeos e muitas histórias. A troca de opiniões tanto entre os alunos quanto com Cases foi muito rica.
Foto: Pétala Lopes
A apresentação de cada trabalho deixou muito claro as várias possibilidades e os vários caminhos que a fotografia percorre. Desde uma pesquisa acadêmica sobre a repressão policial, até a história pessoal e subjetiva sobre o nascimento de um filho. Desde um material que surge a partir de aulas de educação ambiental até a representação metafórica de um pesadelo, ou a busca pela história de um personagem simbólico que já morreu. Seja qual fosse o tema, Ricardo observava paciente e atenciosamente, insistindo sempre na fundamental pergunta: qual é a história que quer contar? Ricardo declarou que “para ser fotógrafo, para mim, não existe a necessidade de uma formação e sim a intenção de contar alguma coisa, uma história, um conto, através de imagens. “
Foto: Pétala Lopes
Então, após conhecer melhor a historia de cada projeto, Cases discorria animado sobre as impressões que as fotos lhe causavam, pulando de uma ideia para outra, fazendo conexões incríveis com fotógrafos importantes da cena contemporânea como Francesca Woodman, Willian Klein, Duane Michals, Antoine D’agata, Trent Park, Miguel Angel Tornero, Maira Soares, John Gossage, Rinko Kawauchi e Claudia Andujar, entre muitos outros.
Todo o processo de edição foi feito com muita delicadeza e respeito por parte de Ricardo, que fez questão de deixar claro que ali ele apenas opinava, sem determinar o que é certo ou errado. A energia, a rapidez e o bom humor de Cases contagiou a turma nesses dois dias e, ainda que cedo, ainda que sábado, todos estavam presentes e dispostos, com seus copinhos de café nas mãos, prontos para absorver qualquer tipo de informação que viesse dele.
Foto: Pétala Lopes
Foram, sem dúvida, três dias de muita informação, inspiração e injeções de coragem para que sigamos com nossos projetos, nossas idéias, de maneira mais arrojada, intempestuosa, criativa e apaixonada. Apaixonados pelas histórias que a imagem pode contar, assim como Ricardo Cases.
Ricardo Cases pode ser considerado uma das principais vozes da fotografia contemporânea. E provavelmente é o responsável pelos workshops mais animados dessa edição do encontro. Mas esse é assunto para outro post. Hoje, Ricardo subiu no palco do MIS para falar sobre sua trajetória na fotografia, linguagem pela qual ele se declara abertamente apaixonado. Desde 2006, ele faz parte do coletivo BlankPaper, de Madrid, com mais 6 artistas.
Foto: Pétala Lopes
Despojado, muito simpático e animado, ele iniciou sua apresentação com uma foto do seu trabalho mais recente, ainda não publicado. A imagem de um muro grafitado o representa tão bem quanto representa o momento que seu pais está vivendo. Espanhol, nascido em Orihuela, Alicante, Cases se diz um homem de sorte por viver um tempo onde a fotografia apresenta a cada ano coisas mais interessantes de ver, novas maneiras de narrar uma história através das imagens.
O primeiro trabalho que apresentou foi Tunning. Um registro do fenômeno que aconteceu na Espanha entre os jovens, que adotaram o estilo para seus carros e para si mesmos. Em seguida, apresentou o trabalho que denominou El Informe Carreras, um ensaio livre, encomendado pelo curador Claudi Carreras, sobre a comunidade latina em Miami. Esse trabalho foi realizado seis anos depois de Tunning, mas os dois se relacionam, contando a história de pessoas vivendo novas influencias culturais. “Minha trajetória na fotografia sempre teve a ver com encontros, com a descoberta de novos personagens e contextos que me pareçam interessantes e que me representem, de alguma forma”, diz Cases.
Foto: Pétala Lopes
O fotógrafo encontrou no fotolivro uma forma maravilhosa de contar suas histórias, seus contos, e de alguma maneira, busca sempre encontrar uma forma de transformar seus trabalhos em fotolivros. Esse é o caso dos trabalhos seguintes apresentados durante a palestra. Outra coisa que deve ser destacada é a presença e a importância das cores em seus trabalhos. Belleza Del Bairro mostrava pessoas comum, posando como estrelas da TV e da publicidade, mas talvez indo além, mostrando de fato a beleza que têm. A trilha sonora da apresentação audiovisual é o toque de um celular de uma marca famosa.
É muito interessante ver como Cases trabalha com quebras de ritmo em seus trabalhos, com imagens inusitadas que conversam completamente com o assunto abordado, como se ele buscasse outros detalhes e lugares para enriquecer suas histórias.
Foto: Pétala Lopes
Seguimos com o trabalho seguinte, La Caza Del Lobo Congelado, que nos apresenta uma nova realidade da caça, um esporte que há um século atrás era privilégio de aristocratas e seus convidados. O novo público, por assim dizer, do esporte, são pessoas de classe media, pais e filhos, amigos e seus cães. A música, mais uma vez, é um personagem importante na apresentação audiovisual, que dá o clima certo para o conjunto forte de imagens de armas, animais mortos e pessoas sujas de sangue.
Serrano Boogie é o trabalho seguinte, também uma apresentação audiovisual de fotos que retratam a convivência da elite espanhola com trabalhadores em uma rua de classe alta, um tipo de Oscar Freire.
Chegamos ao premiado Paloma al Aire (escolhido como o melhor fotolivro de 2011 pelo The Britsh Journal of Photography), trabalho que surgiu da necessidade de Cases de voltar mais à sua cidade natal para visitar a mãe. Lá ele descobriu este esporte, muito comum na costa espanhola que vai da Cataluña a Andaluzia e passou a fotografá-lo ao longo de 3 anos. O resultado é um conjunto de imagens muito curiosas sobre uma prática que ele mesmo classifica como “tão local e tão marciana”.
Esse trabalho também teve a novidade de uma trilha sonora feita por um musico que trabalhou em parceria com Cases, “Foi um processo muito interessante. Eu mandava imagens para José Bautista e ele me respondia com instrumentos e propostas sonoras”.
E antes de encerrar a sua fala, Cases ainda nos deu de presente indicações valiosas sobre os novos nomes da fotografia espanhola que devemos ver, como os coletivos Fotoaplauso, Omnivore, Lãs Baladas Del Ciclope, NoPhoto, El Phacto e o seu próprio coletivo, BlanckPaper.
“Meu trabalho é muito azarado. Azarado? Ah, aqui vocês dizem sorte? Então, meu trabalho depende muito da sorte”, disse ele quase no fim da sua apresentação. A sorte é nossa de poder presenciar uma mente tão criativa e arrojada trabalhando e nos mostrando um pouco dos seus processos.
Para o segundo dia de apresentação dos artigos selecionados pela Convocatória, mais três pesquisadoras apresentaram seus trabalhos, completando o time de seis mulheres convocadas.
A primeira a se apresentar foi a mexicana Blanca Magdalena Ruiz Peres, com o artigo El Viaje de Los Afectos. Iniciando seu discurso, Blanca afirma que as palavras e as imagens viajam juntas, carregadas de sentimentos. Citando o filósofo Espinosa, diz que “a fotografia é o transporte dos afetos”, e que nós somos seres afetivos por natureza. O corpo humano pode ser afetado de muitas maneiras, pelo desejo, pela tristeza, pelo gozo. Entretanto, não podemos compreender o afeto apenas como sentimentos, mas também como conhecimento e como formas de nos relacionar com os outros.
Foto: Pétala Lopes
A pesquisa de Blanca segue, por tanto, a fotografia familiar, que registra momentos de afeto entre mães, pais, filhos, avós e parentes. “O amor é um dos principais afetos”, diz Espinosa, e os exemplos dados por Blanca em sua pesquisa representam esse afeto de diversas maneiras, como é o caso de Felix Gonzáles-Torres e sua obra Cama Vacía, que marca a ausência definitiva do amor. Também é o caso do trabalho de Pedro Meyer, Fotografia para Recordar; Vida Yovanovich, com o trabalho Carcer de Sueños, Ana Casas Broda, com a série Álbum, que tem os retratos de família e a casa como centro do trabalho, e a série Kinderwunsch, que fala sobre a vontade de ser mãe, as alegrias e o amor na maternidade, mas também as angustias, medos, temores. Blanca define seu trabalho como uma pesquisa sobre o olhar como experiência afetiva.
Depois, foi a vez da colombiana Núbia Angélica Caballero Pedraza falar sobre o seu artigo El Efecto de Realidad en la Fotografia Documental. “Existem coisas que não se pode falar. Uma delas é a realidade, porque a realidade é uma questão de experiência, que não é a mesma para todos. Mas, então, por que podemos representar a realidade? Esse é o meu ponto de partida nesta pesquisa”, iniciou Núbia.
Em seguida, apresentou para o público imagens feitas sobre a manifestação de estudantes em Bogotá publicadas em um canal de TV, nas redes sociais e nos principais jornais da cidade, tornando nítido o seu ponto de vista de que, para cada um, a realidade se apresenta de uma maneira. Mesmo em obras do pictorialismo já havia uma intenção de construção e representação de uma realidade. “O dispositivo fotográfico não pode ser entendido como um mero agente reprodutor e, sim, como um meio desenhado para reproduzir determinados efeitos, nesse caso, efeitos da realidade”, ela diz em seu texto, e continua, “representar a realidade é uma pretenção. A realidade é uma coisa muito frágil e qualquer pequena alteração já a transforma em ficção”.
Foto: Pétala Lopes
Encerrando a apresentação da Convocatória, a professora Niura Legramante Ribeiro dissertou sobre a sua pesquisa Interfaces entre fotografia e pintura: Bachelot Carol.
A dupla Bachelot Carol é formada por um casal, marido e mulher, que trabalham com fotografias, mas inspiram-se com obras das artes plásticas, do cinema e do teatro. Ele, antes, foi cenografista e ela figurinista de cinema, e começaram a trabalhar como fotógrafos em 2005. Seu trabalho retrata as questões do mise-en-scene, mas com uma aparência de pintura, causada pelas pinceladas digitais aplicadas na pós-produção.
Os temas abordados pela dupla sempre giram em torno de crimes, assassinatos, delitos, violência, roubos e corrupção, com fotografias construídas a partir de referencias históricas como Ofélia, Romeu e Julieta, Cleópatra, Judith Eclancher, alem de obras de Botticelli e Velásquez. Núbia também ressaltou a relação dessas imagens com as fotografias produzidas no século XIX, que já destacavam a encenação. A pesquisa da professora Núbia pode ser vista com mais detalhes no livro Entre a lente e o pincel – interfaces de linguagens, onde essas e outras relações da fotografia com a historia da arte são feitas.
Após um dia de workshops, palestras, leitura de artigos acadêmicos e um amplo exercício de pensar a fotografia e os seus processos criativos, todos os que estavam no auditório do MIS receberam um pequeno presente. Era o momento da reflexão.
Alexandre Sequeira, com seu relato autoral, emocionou a todos com a história do seu encontro com Rafael e Seu Juquinha, que gerou o trabalho Entre a Lapinha da Serra e o Mata Capim.
Enquanto apresentava fotos de um lugar idílico, tranquilo, uma vila cheia de verde e silêncio, Alexandre explicou, “Meu trabalho se dá pelo deslocamento, pelos lugares que eu visito, pelas pessoas que conheço. Quando dou conta já estou completamente envolvido”. E foi assim, completamente envolvido, que Alexandre nos contou como conheceu um menino de 13 anos cheio de sonhos e fantasias e um senhor 80 anos, cheio de histórias e memórias, que por acaso eram parentes e moravam em Lapinha da Serra, uma vila na Serra do Cipó, em Minas Gerais.
Foto: Pétala Lopes
Entre caminhadas e brincadeiras, histórias de discos voadores e fantasmas, cantigas, batuques e memórias fabulosas, nós que ouvíamos seus relatos, acompanhamos a trajetória de Alexandre durante os dois anos de pesquisa que o levaram a visitar a Lapinha com muita freqüência. Nesse tempo, sua amizade com Rafael cresceu e tornou-se maior do que a distancia pode ser. Alexandre presenteou o menino com uma pequena câmera fotográfica. A partir daí, com a fotografia como elo, os dois passaram a explorar os quatro cantos da vila, clicando tudo o que viam, caminhando em silêncio. “Nada poderia interferir no nosso plano de convívio”, disse Alexandre, que reconhecia no olhar do menino o garoto que ele mesmo fora antes.
Foto: Pétala Lopes
Já com o Seu Juquinha, a relação de amizade teve os laços estreitados com as visitas no Mata Capim, um pequeno terreno afastado da Vila, onde Seu Juquinha cuidava das galinhas e do cachorro. Lá, os dois conversavam à beira do fogo, tomando café, por noites inteiras. A fotografia, nesse caso, era quase uma necessidade para o senhor que sentia por não ter registro dos pais, já falecidos e não queria que o mesmo acontecesse com ele.
Este relato é a prova irrefutável de que, para a fotografia ir além do mero registro, além do consumo e do mercado, é fundamental que o fotógrafo e seu objeto de pesquisa tenham uma relação de convivência intensa e honesta. Apenas diante dessa abertura nas relações é que se torna possível uma percepção tão clara de um ser humano para outro. “Confesso que boa parte do tempo, durante esse período, sequer estou com a câmera. Estou, na verdade, muito disposto a estar com as pessoas”.
Para Alexandre as fotografias são um registro de viver. “Acredito que meu trabalho se trata do encontro. Nada disso seria possível se não fosse esse encontro tão rico com essas duas pessoas”.
Convidada para falar sobre os processos criativos nas artes visuais, a professora do programa de Pós-Graduação em Comunicação e Semiótica da PUC/SP, Cecília Salles manteve como eixo de sua palestra o processo de criação dos fotógrafos, assumindo as indeterminações de fronteiras que marcam a contemporaneidade.
Para ilustrar os possíveis caminhos dos processos criativos de fotógrafos, ela apresentou exemplos, como Bresson examinando lâminas de contatos, frames de DVDs que falam sobre fotografia, arquivos de contatos da Magnum. Citou também obras literárias que abordam o assunto como o livro Breve História do Erro Fotográfico, de Clement Cheroux; Poética do Acaso, de Ronaldo Entler; e Fotografia Expandida, de Rubens Fernandes Junior. Todos esse projetos e livros nos permitem conhecer critérios e estabelecer conexões entre a idéias e contextos de produção.
Foto: Pétala Lopes
Para exemplificar todos os caminhos que um processo criativo pode tomar, o principal material utilizado por Cecília foi o trabalho Atlas, de Gerhard Richter, que ela classificou como “um organismo que se desenvolve e muda”. Composto por fotos, desenhos, colagens, esboços, o trabalho é um vasto arquivo em processo, que foi aberto ao publico desta forma, publicado em revistas, exposto ainda que não terminado. “Atlas é uma coleta sensível de todas as coisas que o interessa [Gerhard Richter] e pode ser tomado como uma espécie de caderno do artista. Trata-se de um caso onde o processo de criação tornou-se obra. Ele mesmo é o seu processo de constituição”.
Foto: Pétala Lopes
Assim, a fronteira entre o privado – as anotações, considerações, colagens, esboços – e o público deixa de existir. O processo criativo também envolve o olhar do outro, e as reflexões de como o outro afeta você e o seu objeto de criação viram parte integrantes do processo.
O arquivo vivo nos coloca na rede cultural da qual ele faz parte (história da arte, fotografia, artes visuais) e pode ser estudado de diversas formas, como, por exemplo um conjunto de memórias, ou objeto de colecionismo. Diversas questões de processos podem ser desenvolvidas para nos ajudar a compreender a organização proposta pelo artista, que não necessariamente é a organização padronizada com a qual estamos acostumados. A mobilidade é uma das características da contemporaneidade e o processo criativo é uma ferramenta do contemporâneo.